segunda-feira, 29 de junho de 2020

Notícias da Igreja: Diocese de São Miguel Paulista -SP

Mensagem Pastoral

cabecalho

Caros padres, diáconos, leigos e leigas,

“O Altíssimo deu aos homens a ciência, para que pudessem honrá-lo por suas maravilhas. (...) Peca na presença daquele que o criou quem não se submete ao tratamento do médico” (Eclo 38, 6.15)

Estamos vivendo uma das maiores pandemias da história e sabemos quanta dor e sofrimento tem se abatido sobre a humanidade e sobre nosso querido povo da Diocese de São Miguel Paulista, localizada na periferia do extremo leste do município de São Paulo, atual epicentro da pandemia do coronavírus no Brasil, e que conta, aproximadamente, com 3 milhões de habitantes em um território de 198 km2.

No último dia 26 de junho, sexta-feira, reuni-me com os padres coordenadores dos setores pastorais da Diocese, os quais relataram que o contágio pelo coronavírus ainda avança sobremaneira entre a nossa população. Com alegria, também ouvimos quantos esforços tem sido feitos para levar consolo e esperança ao nosso povo, sobretudo por meio das celebrações online, das ações caritativas e de outras iniciativas.

A Igreja sempre foi e sempre será defensora e promotora da vida, seguindo os passos de Jesus, que veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10,10). Por isso, num processo de escuta e discernimento, apesar de compreendermos a saudade que todos sentimos de nossas missas presenciais e a grande fome pelo Pão vivo que é Jesus na Eucaristia, julgamos que este momento, que ainda é crítico, exige de nós prudência e paciência, pois estamos lidando com a vida de nossos irmãos e irmãs.

Sabemos que em vários lugares do Brasil já se retomam as celebrações presenciais, e isto nos alegra. Contudo, cientes de que estamos numa região muito populosa e ainda assolada pelo avanço da doença, somos convidados a prorrogar ainda um pouco mais a reabertura das missas presenciais em nossas paróquias e comunidades que, no entanto, permanecem abertas para a oração pessoal dos fiéis. Enquanto isso, convido a todos os párocos, administradores paroquiais, equipes de Liturgia, ministros leigos e demais agentes de pastoral a iniciarem o processo de adequação de nossos espaços litúrgicos para quando retomarmos as celebrações com o povo, conforme as Orientações da CNBB para as Celebrações Comunitárias no contexto da pandemia da COVID – 19divulgadas no último dia 21 de maio. Este período de adequação é importante para que estejamos preparados para quando divulgarmos a data de reabertura.

Expresso minha gratidão aos senhores padres pela criatividade com que procuram, de algum modo, fazerem-se próximos de nosso povo; aos membros de nossas paróquias e pastorais que têm realizado muitas ações sociais e caritativas para atender aos que mais necessitam e a todos os que se dedicam, em nossa cidade, aos serviços essenciais. Deus os abençoe e os guarde e que, nossa Mãe, a Senhora da Penha, e São Miguel Arcanjo, patrono de nossa Diocese, intercedam por todos.

São Paulo, 29 de Junho de 2020

Dom Manuel Parrado Carral
Bispo Diocesano de São Miguel Paulista

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Notícias da Igreja: Brasil

Campanha “É Tempo de Cuidar” arrecada duas mil toneladas de alimentos em todo país

Campanha “É Tempo de Cuidar” arrecada duas mil toneladas de alimentos em todo país

Com dois meses e 14 dias em curso, a Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil “É Tempo de Cuidar”, uma iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Cáritas Brasileira, se aproxima da marca de 2  mil toneladas de gêneros alimentícios arrecadadas em 89 dioceses brasileiras. Até ontem, 25 de junho, o Comitê Gestor da Campanha contabilizou 1.916,561 kilos de alimentos. A campanha foi lançada dia 12 de abril.

O secretário-executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Patriky Samuel Batista comemora o número: “receber esta notícia renova o nosso compromisso de viver o Evangelho como ação de cuidado”. Mas, por outro lado, adverte: “Recebemos esta notícia com muita alegria mas também certos de que há muito o que fazer”, afirmou ao saber dos resultados.

Segundo ele, muitas dioceses têm feito muitas coisas, ao todo são 278 circunscrições eclesiásticas no Brasil, sendo 217 dioceses e 45 arquidioceses, mas ainda nem todas partilharam e socializaram o que estão realizando.

Segundo informação do Comitê Gestor da Campanha É Tempo de Cuidar, até agora mais de 390 mil pessoas foram beneficiadas. A campanha arrecadou, até o dia 25 de junho, R$ 1.643.934,00 e distribuiu 195.798 alimentos prontos para o consumo, especialmente para a população de rua. Também foram arrecadados 154.084 kits de higiene e limpeza, 154.084 unidades de equipamentos de proteção individual e 88.252 roupas e calçados.

De acordo com o padre Patriky, os itens arrecadados visam atender demandas de primeira necessidade das pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social, afetadas pelo contexto de pandemia do novo coronavírus em situações em que o Estado brasileiro não chega.

“Onde a ação do Estado não chega, a mão da Igreja está pronta para apoiar e iniciar verdadeiros processos permanentes de solidariedade, socorrendo necessidades imediatas, sem perder o compromisso de encontrar caminhos. É tempo de cuidar, é tempo de amar, é tempo de despertar o voluntariado e cuidar da solidariedade”, exortou.

Alento para as comunidades vulneráveis

Ação da Campanha É Tempo de Cuidar na diocesa de Bom Jesus (PI)

As arrecadações são distribuídas às comunidades mais vulneráveis que tiveram sua renda extremamente afetada. Para distribuição, cada diocese mapeia os beneficiários a partir das realidades mais críticas e que precisam de atenção maior de cada comunidade.

Portando, a população prioritária da Ação abrange diferentes realidades de pobreza e extrema pobreza em todo território nacional, como as pessoas em situação de rua, migrantes e refugiados, as que vivem em moradias precárias em zonas rurais e urbanas, além dos desempregados/as e trabalhadores/as informais que, neste momento, perderam suas fontes de renda.

O secretário-executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil afirma que o lema bíblico da Campanha da Fraternidade deste ano “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”, se tornou um verdadeiro projeto de vida. “Um projeto de vida por aqueles que são capazes de traduzir a compaixão em gestos de solidariedade”, finalizou.

Fonte: CNBB

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Notícias da Igreja: Brasil

Escolhido o cartaz da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021: “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”


Escolhido o cartaz da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021: “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”
A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) de 2021 já tem cartaz escolhido. A equipe que prepara a CFE do ano que vem, composta por representantes da CNBB e de outras igrejas-membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), realizou concurso para a escolha da arte.
No próximo ano, a Campanha da Fraternidade será ecumênica e terá como tema “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”. E como lema o trecho da carta de Paulo aos Efésios: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2, 14ª). Essa será a quinta CFE e tem como objetivo geral “convidar as comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar caminhos para superar as polarizações e as violências através do diálogo amoroso testemunhando a unidade na diversidade”.
A arte escolhida para ilustrar o caminho fraterno de diálogo e comunhão foi elaborada pela agência Ateliê 15. O cartaz remete ao apelo de Cristo pela unidade. O secretário executivo para Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista, destaca que “Cristo é a nossa paz e suas ações nos inspiram a concretiza-la por meio do nosso testemunho de vida”.
Seu amor nos une, sua Palavra desperta em nossos corações o compromisso com a construção de uma sociedade que seja capaz de dialogar superando assim as polarizações que adiam a “cultura do encontro” e o desejo de Cristo de que todos sejamos um (Jo 17,21). Cultura capaz de iniciar processos de vida nova a partir de um coração que se converte e, como tal, jamais deixará de dialogar, viver a fraternidade e, em conjunto, trabalhar em favor da justiça e pela paz”, reforça padre Patriky.
Segundo os artistas do Ateliê 15, a base do desenho é uma ciranda, uma grande roda onde não há primeiro, nem último, onde todos formam uma unidade e precisam trabalhar na mesma sintonia e ritmo para não perderem o compasso. “A ciranda lembra uma canção muito comum em nossas comunidades, ‘baião das comunidades’ do cantor e compositor Zé Vicente. Todas e todos são convidados a participarem desta ciranda pela vida construindo a civilização do amor, da justiça, da igualdade e da paz. Na ciranda há uma criança com a mão estendida a espera de mais pessoas a fim de que o movimento de fraternidade não pare. Somos todos convidados!”.
A seleção da arte se deu por meio de um concurso. Em relação ao texto base, a previsão é de que no mês de julho ele esteja concluído. O hino também deve ser divulgado em breve.
São membros do CONIC as seguintes Igrejas: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Presbiteriana Unida, Aliança de Batistas do Brasil. Ainda participam da comissão de preparação representantes do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização (CESEEP) e a Igreja Betesda como Igreja convidada.
Fonte: CNBB

Notícias da Igreja: Mundo

                                Dom Rino Fisichella

Novo Diretório para a Catequese: “É urgente uma conversão pastoral"

"É urgente realizar uma 'conversão pastoral' a fim de liberar a catequese de certos laços que a impedem de ser eficaz". Palavras de Dom Rino Fisichella na coletiva de apresentação nesta quinta-feira (25/06) do novo "Diretório para a Catequese”

 “Na era digital, vinte anos podem ser comparados, sem exageros, a pelo menos meio século”. A observação é de Dom Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a promoção da Nova Evangelização, durante a apresentação nesta quinta-feira (25/06) na Sala de Imprensa da Santa Sé do novo "Diretório para a Catequese”.

 

Considerar o que está surgindo

O documento nasceu da necessidade de levar em consideração "com grande realismo o novo que está surgindo, com a tentativa de propor uma leitura que envolvesse a catequese". É por esta razão que o Diretório apresenta "não apenas os problemas inerentes à cultura digital, mas também sugere caminhos a serem tomados para que a catequese se torne uma proposta que encontre o interlocutor capaz de compreendê-la e ver sua adequação com seu próprio mundo". 

 

Recordar os Sínodos

“Viver cada vez mais a dimensão sinodal faz com que não esqueçamos os últimos Sínodos que a Igreja viveu", explicou Fisichella. O presidente do Dicastério mencionou em particular o Sínodo sobre a Nova Evangelização e transmissão da fé de 2012, com a consequente Exortação Apostólica do Papa Francisco Evangelii gaudium, e o 25º aniversário da publicação do Catecismo da Igreja Católica, que afeta diretamente a competência do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

 

Conversão pastoral

"A evangelização ocupa o primeiro lugar na vida da Igreja e no ensinamento diário do Papa Francisco", observou o prelado: “Portanto, a catequese deve estar intimamente ligada à obra de evangelização e não pode ser separada dela. Ela precisa assumir em si mesma as próprias características da evangelização, sem cair na tentação de se tornar um substituto para ela ou de querer impor à evangelização suas próprias premissas pedagógicas”. A partir disso podemos ver o primado do "primeiro anúncio" e o vínculo entre evangelização e catecumenato, "como experiência do perdão oferecido e da nova vida de comunhão com Deus". Segundo Fisichella, "é urgente realizar uma 'conversão pastoral' a fim de liberar a catequese de certos laços que a impedem de ser eficaz". O primeiro ponto pode ser identificado no esquema escolar, segundo o qual a catequese de Iniciação Cristã é vivida no paradigma da escola. O segundo é a mentalidade com a qual a catequese é feita a fim de receber um sacramento. Um terceiro é a instrumentalização do sacramento por causa da pastoral, desse modo os tempos do sacramento da Confirmação são estabelecidos pela estratégia pastoral de não perder o pequeno rebanho de jovens que não abandonaram a paróquia e não pelo significado que o sacramento possui em si mesmo na economia da vida cristã".

(Fonte: Agência Sir – M.N.)


E João é seu nome

E João é seu nome

Joao da emoção
João da alegria
João da sabedoria
João do coração

João da gratidão
João da pureza
João da leveza
João do perdão

João sem egoísmo
João precursor
João do batismo

E João é seu nome
João anunciador
João do Amor.

Padre Wetemberg Aires - 24/06/20

terça-feira, 23 de junho de 2020

Retorno às celebrações com presença dos fiéis exige atitudes contra a infecção: assessor da Comissão para a Liturgia explica orientações da CNBB


O retorno às celebrações com presença dos fiéis exige atitudes e posturas contra a infeção pelo novo coronavírus. É o que diz o documento enviado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aos bispos com “orientações Litúrgico-Pastorais para o retorno às atividades presenciais”. O assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, padre Leonardo Pinheiro, gravou um vídeo explicando estas orientações e ressaltando os cuidados que devem ser tomados antes, durante e depois das celebrações diante deste contexto de pandemia.

Após quase três meses de atividades suspensas, algumas arquidioceses e dioceses no Brasil retomam, aos poucos, as celebrações com a presença dos fiéis. A rotina de abertura das igrejas foi possível depois que governos municipais e estaduais publicaram decretos autorizando a realização das missas com o povo.
Mas este retorno “requer um bom planejamento, muita coragem e esperança, pois a Igreja também tem a grave responsabilidade de prevenir o contágio da COVID-19, em sintonia com as autoridades sanitárias”, diz o documento da CNBB. A Comissão para a Liturgia ressalta que, na medida em que for retomada a participação comunitária nas celebrações, segundo as orientações dos Bispos diocesanos, “será necessário garantir atitudes e posturas contra a infeção”.

CNBB envia aos bispos do Brasil orientações litúrgico-pastorais para retorno às atividades

Aos poucos, as autoridades políticas estaduais, observando as medidas sanitárias, vão permitindo a abertura de atividades após um período mais intenso de isolamento social como medida para contenção do avanço do novo coronavírus. Entre as ações permitidas encontra-se a possibilidade do retorno da realização de celebrações religiosas e missas.
 A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou a todo episcopado brasileiro, dia 31 de maio, um documento de oito páginas com as “Orientações Litúrgico-Pastorais para o retorno às atividades presenciais”. A orientações foram elaboradas pela Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB a partir de experiências de dioceses do Brasil e do exterior. Cabe, contudo, ao bispo de casa Igreja Particular, à luz de cada realidade local, orientar os fieis neste retorno às atividades presenciais.

O documento sistematiza uma série de orientações gerais para a organização e realização das missas e os cuidados que devem ser tomados antes, durante e após cada celebração. Também apresenta orientações específicas, como o ritual para os batizados. Um cuidado necessário é a orientação aos fieis que apresentarem sintomas e que integram os grupos de risco a ficarem em suas casas, onde as comunidades devem se organizar para ministrar a comunhão.

Outra indicação também é que as comunidades fixem em cartazes as observações relativas à higiene para evitar a disseminação do novo coronavírus. A utilização de máscaras, que poderão ser tiradas apenas no momento da comunhão, será obrigatória. Conheça a íntegra do documento aqui.


Orientações da CNBB para as Celebrações Comunitárias no contexto da pandemia da COVID – 19  

Ansiamos por retomar as celebrações litúrgicas com a normal participação de fiéis, o que corresponde à natureza da Igreja, assembleia do Senhor, como nos recordou recentemente o Papa Francisco (Homilia 17 de abril). Mas estamos conscientes de que isso requer um bom planejamento1, muita coragem e esperança, pois a Igreja também tem a grave responsabilidade de prevenir o contágio da COVID-19, em sintonia com as autoridades sanitárias. 

Nós, bispos do Brasil, nos alegramos por tantas iniciativas que nestes últimos meses fizeram redescobrir e valorizar formas familiares e pessoais de oração e de liturgia doméstica, as quais certamente fizeram reluzir em nossos lares a beleza da espiritualidade vivida e celebrada em família com tantos momentos de oração. Sabemos, contudo, que será necessário ainda algum tempo até que alcancemos o integral restabelecimento da vida eclesial de nossas comunidades e que nada pode e nem deve substituir a vida sacramental e litúrgica delas, fonte e ápice da Igreja. 

Assim, na medida em que for retomada, segundo as orientações dos Bispos diocesanos, a participação comunitária em nossas liturgias, será necessário garantir atitudes e posturas contra a infecção. Por isso, a CNBB propõe algumas medidas de proteção que visam o cuidado, a defesa e a preservação da vida. Tais normas de proteção deverão ser implementadas em cada Diocese, levando em consideração as próprias realidades e as orientações dos respectivos Bispos, bem como aquelas das autoridades sanitárias.  

A) ANTES DA MISSA E DEMAIS CELEBRAÇÕES 

1. Na impossibilidade, por razões de saúde ou idade, de se cumprir presencialmente o preceito dominical, convida-se preferencialmente à leitura orante da Palavra de Deus e à Celebração da Palavra em casa, utilizando-se dos roteiros colocados à disposição para tal fim, como, por exemplo, o da “Celebração em Família”, proposto semanalmente pela Comissão de Liturgia da CNBB. Pode-se ainda acompanhar as celebrações pelas transmissões midiáticas das iniciativas paroquiais ou mesmo dos canais de TV católicos. 
2. Pede-se aos fiéis que estão ou se sentem doentes para não irem à Missa. Estes poderão receber a comunhão em suas casas recorrendo ao serviço dos ministros extraordinários da comunhão eucarística, seguindo o Ritual Romano (A Sagrada Comunhão e o Culto do Mistério Eucarístico fora da Missa, nn. 5667) e observadas as mesmas regras de higienização da Comunhão na Missa dominical. 
3. Convidam-se os fiéis pertencentes a grupos de risco a não frequentar a Missa dominical, optando a participar da Missa durante a semana, em que há menos fiéis. 
4. Sejam afixados em lugares visíveis cartazes orientando quanto às regras de higiene e de distanciamento. 
5. As comunidades devem organizar equipes de acolhida que auxiliem os fiéis no cumprimento das normas de proteção.  

 Essas nossas Orientações se inspiram e foram adaptadas a partir daquelas emanadas pela Conferência Episcopal Portuguesa, em 08 de maio de 2020. Portugal já vive esta fase de retomada das Celebrações Comunitárias.  

6. Nos horários previstos para as celebrações, as portas de entrada da igreja, claramente identificáveis, deverão estar abertas para evitar que qualquer fiel tenha de tocar em puxadores ou maçanetas. 
7. Sempre que possível, as portas de entrada sejam distintas das de saída e que haja indicadores de percursos de sentido único de modo a evitar que as pessoas se cruzem. 
8. Os fiéis devem higienizar as mãos à entrada da igreja com álcool em gel ou outro produto desinfetante. As pessoas a quem a comunidade cristã confiar esta tarefa porão à disposição frascos dispensadores com uma quantidade suficiente de produto desinfetante e verificarão que todos, sem exceção, desinfetem as mãos. 
9. É obrigatório o uso de máscara, a qual só deverá ser retirada no momento da Comunhão eucarística. 
10. O acesso dos fiéis às Missas dominicais, às celebrações da Palavra e a outros atos de culto será limitado no número de participantes, de acordo com a dimensão da igreja e as regras aplicáveis, pelas autoridades competentes, a todos os eventos em espaços fechados. 
11. Deve-se respeitar a distância mínima de segurança entre participantes – de modo que cada fiel disponha, só para si, de um espaço mínimo de 4m² – e garantir, com medidas adequadas, que as distâncias necessárias sejam respeitadas (por ex.: fechando-se o acesso a alguns bancos ou alternando as filas, afastando cadeiras; marcando os lugares com cores ou outros sinais). A regra do distanciamento não se aplica a pessoas da mesma família ou que vivam na mesma casa. 
12. Para evitar aglomeração de pessoas nas igrejas com maior afluência de fiéis sejam-lhes oferecidas, na medida do possível, um maior número de celebrações, bem como a possibilidade de participarem da Celebração da Palavra de Deus, conforme as orientações no Documento 108 da CNBB, e da Celebração das horas do Ofício Divino. 
13. Onde e quando for possível seja dada preferência às celebrações campais, ao ar livre. 
14. Os recipientes de água benta junto às entradas da igreja devem estar vazios.  

B) DURANTE A MISSA E DEMAIS CELEBRAÇÕES: 

15. Os fiéis devem ocupar os lugares previstos, mantendo as distâncias estabelecidas, sob a supervisão das pessoas a quem a comunidade cristã confiar esta tarefa. Não se separam as famílias ou os que vivem na mesma casa. 
16. Os fiéis que sentirem algum mal-estar durante uma celebração devem sair imediatamente, acompanhadas pelas pessoas que a comunidade cristã tiver designado. 
17. Além do presidente, a celebração pode acontecer com o número de ministros (ministros extraordinários da comunhão eucarística, acólitos/coroinhas...) adequado ao espaço existente no presbitério para que se cumpram as regras do distanciamento. Nas mesmas condições, podem também intervir um ou dois leitores que poderão estar situados na assembleia. Da mesma forma, recomenda-se que haja um número adequado de participantes no ministério do canto.   
 18. Os leitores e cantores desinfetarão as mãos antes e depois de tocarem no ambão ou nos livros. Na proclamação do Evangelho, o ministro substituirá o beijo por uma inclinação profunda, omitindo o sinal da cruz sobre a página do texto sagrado. Não serão colocados à disposição folhas de cânticos, nem folhetos ou qualquer outro objeto ou papel. 
19. Durante a Apresentação das Oferendas, o recolhimento das ofertas ou do dízimo não será feito, mas será realizado à saída da igreja pela equipe responsável, seguindo indispensáveis critérios de segurança. Sobre o Altar, o corporal esteja aberto desde o início da celebração, para que o presidente, e somente ele, beije o altar no início e no final da celebração. Os concelebrantes / diácono farão apenas uma inclinação profunda. 
20. Os sacristães, ministros, acólitos e outros colaboradores da igreja, utilizando máscaras e luvas descartáveis, devem manusear e limpar os utensílios litúrgicos, e secá-los com toalhas de papel, não reutilizáveis. 
21. O sacerdote e o diácono, se estiver presente, desinfetarão as mãos antes da apresentação dos dons. Apenas o sacerdote e o diácono (não os acólitos) pegam nas oferendas e nos vasos sagrados. 
22. O cálice e a patena deverão estar cobertos com a respectiva pala, apenas se destampando no momento em que o sacerdote presidente os toma nas suas mãos para a consagração; as âmbulas devem ser mantidas tampadas. Importante buscar manter um mínimo distanciamento de segurança entre o presidente e as ofertas sobre o altar, evitando-se também pronunciar qualquer palavra sobre ou próximo das mesmas. 
23. O gesto de paz deve ser omitido. 
24. Na procissão para a Comunhão, os fiéis devem respeitar o distanciamento aconselhado. Se for o caso, as distâncias recomendadas deverão ser sinalizadas no pavimento da igreja. Sendo inevitável uma maior proximidade, os ministros que distribuem a comunhão usarão máscara e desinfetarão suas mãos antes e depois da distribuição. 
25. O diálogo individual da Comunhão («Corpo de Cristo». – «Amém.») será realizado uma única vez por quem preside e de forma coletiva depois da resposta «Senhor, eu não sou digno…», distribuindo-se, portanto, a Eucaristia em silêncio. 
26. No momento da Comunhão, observem-se as normas de segurança e de saúde, considerando o modo correto do manuseio das máscaras que serão momentaneamente retiradas para a comunhão. 
27. A Comunhão será distribuída exclusivamente nas mãos, devendo todos comungar na frente dos ministros. Quem preside, eventuais concelebrantes e diáconos comungam do cálice por intinção. 
28. No caso de o sacerdote celebrante ser mais idoso ou pertencer a algum grupo de risco, deve ser substituído, na distribuição da Comunhão, por algum diácono ou ministro extraordinário. 
29. As regras relativas à higiene e ao distanciamento entre participantes aplicam-se, de igual modo, às demais ações litúrgicas e aos outros atos de piedade.  

C) DEPOIS DA MISSA E DEMAIS CELEBRAÇÕES: 
30. Os fiéis devem ser orientados a deixar a igreja, segundo uma ordem fixada em cada comunidade cristã no respeito pelas regras de distanciamento, e a não se aglomerarem diante da igreja. As primeiras pessoas a sair devem ser as que estão mais próximas da porta de saída, evitando, desta forma, que as pessoas se cruzem. 
31. Após a Missa, proceda-se ao arejamento da igreja durante pelo menos 30 minutos, e os pontos de contato (vasos sagrados, livros litúrgicos, objetos, bancos, puxadores e maçanetas das portas, instalações sanitárias) devem ser cuidadosamente desinfetados.  
32. Todas as celebrações e atividades pastorais, quando realizadas ainda em contexto de epidemia devem observar as seguintes orientações e estão condicionadas ao escrupuloso cumprimento das normas de higiene, distanciamento e outras formas de proteção (uso de máscara e de luvas) que as autoridades de saúde prescreverem.  

D) OUTRAS CELEBRAÇÕES E ATIVIDADES PASTORAIS: 

1. batismo de crianças

33. Para o Sinal-da-cruz, nos ritos de acolhida, o ministro traça uma cruz diante de cada batizando, sem contato físico; os pais, mas não os padrinhos (a não ser que também eles coabitem com a criança a ser batizada) farão o sinal da cruz na fronte do filho. 
34. Para a Unção pré-batismal o ministro dirá a fórmula prevista e ungirá como estabelecido no Ritual o peito da criança utilizando-se de um pouco de algodão embebido no óleo dos Catecúmenos para cada criança, tendo o cuidado de não tocar diretamente na criança. Havendo contato, o ministro procederá a higienização dos dedos antes de fazer a unção de outra criança. Após a celebração, o algodão utilizado nas unções será incinerado. 
35. Em cada celebração do Batismo, proceda-se a nova bênção de água limpa. Na administração da água batismal, haja o cuidado de que a água derramada no ato do batismo não seja reutilizada para nenhum outro fim ou batismo. O ministro poderá, no entanto, usar para todos os batismos a mesma concha, previamente higienizada, desde que não ocorra contato físico com a criança. 
36. Em relação à Unção pós-batismal, omite-se a unção, mas se diz a oração própria (Ritual do Batismo de Crianças, 210). 
37. O rito opcional da Entrega do sal seja omitido. O rito do Éfeta poderá ser mantido; nesse caso, o ministro estenderá a mão direita na direção dos eleitos, sem contato físico, e pronunciará a fórmula prevista (Ritual do Batismo de Crianças, n. 159). 
38. Nenhum dos demais ritos da Liturgia do Batismo supõe qualquer contato físico a não ser dos pais com a criança que é batizada. 
39. Com estes procedimentos, pode ser autorizada a celebração de Batismos quer de uma só criança, quer de várias, respeitando-se as orientações em relação à ocupação do espaço e às normas de higiene e distanciamento iguais às previstas para a celebração da Missa dominical.  

2. Iniciação cristã dos adultos 

40. Nos ritos do catecumenato, tanto de Exorcismo como de Bênção, a imposição das mãos será feita sempre sem contato físico; o gesto do sopro será substituído pelo gesto de estender a mão direita em direção aos candidatos e catecúmenos, conforme está previsto nas rubricas (RICA 79, p. 279). 
41. Na Assinalação da fronte, o celebrante traça uma cruz diante da fronte dos candidatos, de modo a evitar o contato físico; se os candidatos forem muitos, o celebrante traça uma cruz sobre todos os candidatos ao mesmo tempo e diz a fórmula prevista (RICA 83-84). Quanto à Assinalação dos sentidos, seja omitida (RICA 85). 
42. Os livros dos Evangelhos a distribuir a cada catecúmeno deverão estar previamente higienizados e o celebrante procederá à higienização das mãos antes de proceder à sua eventual distribuição, evitando-se o contato físico entre celebrante e catecúmenos. 
43. Omitem-se os Ritos auxiliares (RICA 89).  
44. As Unções previstas no tempo do catecumenato (RICA 127-132) far-se-ão exclusivamente nas mãos dos catecúmenos, que as estenderão com as palmas para cima; o celebrante realizará a unção servindo-se de um pouco de algodão embebido no óleo dos catecúmenos, tendo o ministro o cuidado de não tocar diretamente nas mãos dos catecúmenos. Havendo algum contato, o ministro procederá à higienização dos dedos envolvidos antes de proceder à unção de outro catecúmeno. Após a celebração, o algodão utilizado nas unções será incinerado. 
45. No Rito da eleição, apresente-se a lista dos nomes a quem preside, em vez de cada candidato inscrever o próprio nome (RICA 146). No ato da eleição, os padrinhos aproximam-se dos eleitos, mas não lhes tocam no ombro, a não ser que sejam familiares que vivam na mesma casa. 
46. Nas Celebrações dos escrutínios, os padrinhos aproximam-se dos afilhados durante as preces pelos eleitos, mas abstêm-se de lhes pôr a mão direita no ombro, a não ser que sejam familiares que vivam na mesma casa. 
47. No rito do Éfeta, o ministro estenderá a mão direita na direção dos eleitos e pronunciará a fórmula prevista (RICA 202). 
48. Na celebração dos Sacramentos da Iniciação, proceda-se cada vez a nova bênção de água limpa, como sempre sucede na Vigília Pascal. Na administração da água batismal, haja o cuidado de que a água derramada no ato do batismo não seja reutilizada, evitando qualquer tipo de contato entre os batizandos. O ministro usará para todos os batismos a mesma concha, previamente higienizada, ou a sua mão, evitando qualquer contato físico. 
49. Se, por motivos especiais, não se seguir a celebração da Confirmação, ao que diz respeito à Unção pósbatismal, omite-se a unção, mas se diz a oração correspondente (RICA 224). 
 50. Na imposição da Veste batismal, rito que pode ser omitido, os padrinhos e madrinhas que ajudam os afilhados a revestir a veste higienizam as mãos antes de o fazer, a não ser que sejam familiares dos afilhados e vivam na mesma casa. 
51. No rito da Confirmação proceda-se como em seguida se dirá para este Sacramento.   

3. Confirmação 

52. As celebrações da Confirmação estão sujeitas às mesmas restrições e condicionamentos da Missa dominical. 
53. Os Bispos avaliarão a possibilidade de adiar a celebração do Sacramento da Confirmação. Optando-se pela sua celebração, ministro e crismandos usarão máscara de proteção no momento da unção. 
54. Sendo vários os crismandos, use-se um pouco de algodão embebido do Santo Crisma para cada unção, tendo o ministro o cuidado de não tocar diretamente na fronte do crismando. Havendo algum contato, o ministro procederá à higienização dos dedos envolvidos no contato antes de proceder à unção de outro crismando. A saudação da paz limitar-se-á ao diálogo, sem contato. Após a celebração o algodão utilizado na unção será incinerado. 
55. Os padrinhos aproximam-se dos afilhados e, com máscara, dizem o nome do afilhado ao Bispo abstendo-se, porém, de tocar no seu ombro, a não ser que vivam no mesmo convívio familiar.  

4. Primeiras Comunhões 

56. As celebrações com primeira comunhão eucarística estão sujeitas às mesmas restrições e condicionamentos da Missa dominical. 
57. As crianças preparadas para a Primeira Comunhão, e cujos pais assim o desejem, podem, de acordo com o pároco, fazê-la com pequenos grupos, em uma Missa dominical, sem excluir uma posterior participação numa celebração mais solene.  
5. Sacramento da Reconciliação 
58. Na celebração do Sacramento da Reconciliação, para além das medidas gerais, deve-se escolher um espaço amplo que permita manter o distanciamento entre confessor e penitente, que usarão máscara, sem comprometer a confidencialidade e o inviolável sigilo sacramental. 
59. Ao terminar, aconselha-se reiterar a higiene das mãos e a limpeza das superfícies utilizadas.  
6. Unção dos enfermos 
60. Redobrem-se os cuidados de higiene e usem-se máscaras de proteção, evitando-se o contato físico na imposição das mãos. 
61. Na administração do óleo dos enfermos use-se um pouco de algodão embebido no óleo dos enfermos, de modo a evitar contato físico. 
62. Os sacerdotes mais idosos ou enfermos não devem ministrar este Sacramento a pessoas com suspeita de estarem infectadas por coronavírus.  

7. Ordenações 

63. Em termos de participantes, as ordenações estão sujeitas às mesmas restrições e condicionamentos da Missa dominical. 
64. Havendo mais do que um candidato, é necessário fazer a higienização entre a realização dos gestos que impliquem contato com cada ordinando. 
65. À Imposição das mãos, em silêncio, sobre a cabeça do ordinando, somente o Bispo o fará com contato físico. Caso haja mais de um ordinando, deve-se respeitar a orientação anterior, a respeito da higienização. 
66. Na ordenação de novos presbíteros, pode-se reduzir a representação do presbitério a alguns membros do Conselho Presbiteral, formadores do Seminário, párocos da Paróquia de origem, de residência e de estágio pastoral; só esses – ou algum deles somente - farão o gesto da Imposição das mãos, mas sem estabelecer contato físico com os ordinandos; na saudação de acolhimento na Ordem, o abraço da paz será substituído por um outro gesto de acolhida, como por exemplo, uma vênia recíproca coletiva. 
67. Na ordenação dos diáconos, da mesma forma, a saudação de acolhimento na Ordem, o abraço da paz será substituído por um outro gesto de acolhida, como por exemplo, uma vênia recíproca coletiva. 
68. Antes e depois do gesto de obediência (mãos nas mãos) e da Unção das mãos, recém ordenados e Bispo higienizarão as mãos. 
69. Os presbíteros e diáconos que auxiliarem os recém-ordenados a revestirem-se com as vestes da sua ordem também higienizarão as mãos.  

8. Matrimônio 

70. As celebrações matrimoniais estão sujeitas às mesmas restrições e condicionamentos da Missa dominical. 
71. As alianças deverão ser manipuladas exclusivamente pelos noivos.  

9. Exéquias 

72. As exéquias cristãs devem ser celebradas respeitando os costumes locais com a presença dos familiares, tendo em conta as normas de segurança. 
73. Apesar de tal ser difícil nestes momentos de dor, não deixe de se recomendar a omissão de gestos de afeto que impliquem contato pessoal e a importância de se manter a distância de segurança.  

10. Visitas à igreja para a oração ou adoração ao Santíssimo
74. As igrejas podem estar abertas durante o dia para visitas individuais de oração ou adoração ao Santíssimo Sacramento, desde que se observem os requisitos determinados pelas autoridades de saúde. Os fiéis devem ser orientados a não tocarem em qualquer imagem ou objeto expostos.
75. As visitas turísticas devem ser condicionadas, segundo as orientações das autoridades competentes. 

11. Ações formativas e atividades pastorais
76. As atividades pastorais nos espaços eclesiais (paróquias, centros pastorais, casas de retiro, etc.) como reuniões, retiros e demais iniciativas, seguirão as regras previstas pelas autoridades competentes.
77. As atividades de catequese e outras ações formativas continuarão a ser realizadas apenas por meios telemáticos ou se seguirá a orientação do bispo diocesano.
78. Os Bispos analisarão a possibilidade de adiar outras atividades, incluindo as visitas pastorais. 

12. Peregrinações e romarias
79. Peregrinações, procissões, festas, romarias, concentrações religiosas, acampamentos e outras atividades similares em grandes grupos, passíveis de forte propagação da epidemia, continuam suspensas até novas orientações. 

Brasília, 21 de maio de 2020  

Dom Edmar Peron Bispo de Paranaguá – PR Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB




A arte representa São João Batista: uma exposição on-line


                         O Batismo de São João Batista, Andrea Venocchio, Leonardo da Vinci e Colaboradores.
O padroeiro de Florença, São João Batista, é homenageado com uma exposição virtual das Gallerie degli Uffizi, um dos museus mais importantes do mundo com o título: "O Santo que batizou Cristo. Cenas da vida de São João Batista"
Houve uma época, na segunda metade do século XVIII, em que as Gallerie degli Uffizi abriam apenas um dia por ano: na festa de São João Batista, padroeiro da cidade de Florença. “O dia 24 de junho”, lembra o diretor das Gallerie degli Uffizi, Eike Schmidt, "é uma festa religiosa, mas também cívica e política para a cidade".  Portanto é significativo que algumas semanas após a reabertura ao público depois do lockdown, o Museu dedique uma exposição virtual ao "Precursor”. O diretor explica que "não é apenas uma homenagem ao santo padroeiro da cidade, mas também uma forma de celebrar com todos, em Florença e no mundo inteiro, um dia de tão grande significado".

Ao longo dos séculos, gerações inteiras de artistas inspiraram-se naquele que preparou o caminho para o Senhor Jesus. "Profeta", "luz ardente", "amigo do esposo", "arauto do juízo" são apenas alguns dos nomes pelos quais João Batista é apresentado. A exposição que pode ser vista na web intitula-se "O Santo que batizou Cristo. Cenas da vida de São João Batista" e foi organizada por Anna Bisceglia.

A mostra é formada por quinze obras selecionadas da coleção do Museu: expressões artísticas do século XIV ao século XX. Destacam-se as obras-primas de Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio, Bronzino, Veronese, mas também há espaço para a arte oriental com um ícone russo. A variedade expressiva confirma o papel de João Batista como figura chave na cultura cristã: um elo entre o Antigo e o Novo Testamento, a tradição judaica e a Boa Nova.

O itinerário virtual parte do retábulo do pintor discípulo de Giovanni del Biondo; continua com o San “Giovannino no Deserto” pintado por Rafael em Roma por volta de 1518. Continua com Andrea del Sarto, e as comoventes representações da primeira infância de São João Batista dos grandes artistas Pontormo e Bronzino. A obra máxima é o Batismo de Cristo, magistralmente ilustrado por Verrocchio, Leonardo e Veronese. Finalmente o martírio, a cruel decapitação narrada pelo realismo de Cranach o Ancião e Alonso Berruguete.

Fonte: Vatican News - PO

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Bento XVI ensina três atitudes para servir melhor na música litúrgica





A música litúrgica é vista pela Igreja com muito zelo, como nobre e respeitável arte que serve para “o esplendor do culto divino e para uma mais intensa vida espiritual dos fiéis”, como ensinou o Papa Pio XII na carta encíclica Musicae Sacrae disciplina. Às vésperas do dia dedicado à Música, 21 de junho, o assessor do Setor Música Litúrgica da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), irmão Fernando Benedito Vieira, destaca três atitudes para melhor servir na música litúrgica a partir de ensinamentos do Papa emérito Bento XVI.

O religioso jesuíta busca indicações do livro “O Espírito da Música”, de autoria do Papa Bento XVI, o qual tem uma relação próxima com a música. De modo particular, esta relação de Joseph Ratzinger com a música remete ao irmão mais velho, o padre Georg Ratzinger, conhecido por seu trabalho como maestro do Regensburger Domspatzen, o coro da catedral de Regensburg, na Alemanha.

Três atitudes
O livro do Papa emérito Bento XVI aborda a relação entre a música e a liturgia, sobre o lugar que a primeira ocupa na segunda, bem como sobre os princípios e os fins da música litúrgica verdadeiramente apropriada ao serviço e ao louvor a Deus. Das tantas reflexões presentes na publicação, irmão Fernando Vieira destaca três que podem ser úteis para o músico que atua na Pastoral Litúrgica: Tipos de música, moderação e individualismo.
O ponto de partida para as reflexões é a Constituição sobre a Liturgia presente no Catecismo da Igreja Católica, em seu cânon 1090:
“Pela Liturgia da terra participamos, saboreando-a já, na Liturgia celeste celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual como peregrinos nos dirigimos […]; por meio dela cantamos ao Senhor um hino de glória”.

Tipos de música
A primeira indicação é sobre os tipos de música próprios para a Liturgia:
“Existe música para agitação, que conduz o homem ao serviço de diferentes objetivos coletivos. Existe uma música sensual, que aumenta o apetite erótico ou atrai na direção de outros prazeres sensuais. Existe música de pura distração, que nada tem a dizer, que se contenta puramente em romper um silêncio que se tornou pesado demais. Existe música racionalista, cuja melodia só serve às construções racionais, sem falar realmente nem ao espírito, nem aos sentidos. Agora, certos cantos na liturgia podemos inserir numa categoria de cantos sem alma: são cantos feitos hoje na atualidade sem conhecimento de música. Então, a música adequada para a liturgia ela tem uma outra síntese, mais vasta e de maior dimensão: síntese de espírito, intuição e melodia que fale aos sentidos”.
Segundo ensina Bento XVI, toda música litúrgica “supõe, necessariamente, respeito profundo, disposição a receber, humildade pronta a servir e a participação naquilo que já se fez de grande”. Irmão Fernando fala das duas balizas dispostas pela Igreja para os músicos:
o    A primeira direciona a música litúrgica para responder, interiormente, naquilo que a constitui, ou seja, “as exigências dos grandes textos litúrgicos e textos bíblicos”, como o Kyrie, o glória… “Isso não quer dizer que ela deva se reduzir, necessariamente, a uma música ditada somente pelo texto. Mas a orientação interna desses textos mostram o caminho da sua própria expressão”, explica.
o    A segunda baliza é a referência ao canto gregoriano, “que não significa que toda a música da Igreja deva ser uma imitação desse repertório. São referências, critérios de orientação. Quem quiser aprender a fazer música para a liturgia, deve orientar-se nas fontes, segundo irmão Fernando.

No livro de Bento XVI, há também referências de autores como Harnoncourt, que escreveu: “Estou convencido de que há também uma música que convém particularmente, ou não convém de todo, ao encontro com o mistério da fé”. Para Bento XVI, uma música que pretende estar a serviço da liturgia cristã “deve, com efeito, estar conforme o Logos, ou seja, concretamente: ela deve se situar numa relação de compreensão da palavra na qual se exprime o Logos”.

Moderação
Sobre a moderação, a reflexão parte do tratado da oração do Senhor, de São Cipriano:
“Haja ordem na palavra e na súplica dos que oram, tranquilos e respeitosos. Pensemos que estamos na presença de Deus. Que a posição de nossos corpos e a moderação das vozes Lhe sejam agradáveis. Se é próprio do irreverente soltar a voz em altos brados, convém ao respeitoso a modéstia. […] Quando nos reunimos com os irmãos e celebramos com o sacerdote de Deus o Sacrifício Divino, […] não devemos lançar a esmo nossas preces com palavras desordenadas, nem atirar a Deus pedidos de forma tumultuada; tudo isso deve ser apresentado com humildade, pois Deus ouve, não as palavras, mas os corações. Com efeito, não se pode recorrer com gritos Àquele que vê os pensamentos […]”.                
Assim, na missa, os instrumentos não fazem parte de um show. O Papa Pio X reforçava sobre “uma maior sobriedade no acompanhamento dos instrumentos”. Desta forma, “deve-se submeter a música litúrgica inteiramente ao serviço da Palavra litúrgica e ao serviço do louvor. A música sacra não devia ser mais uma ocasião de exibição musical na liturgia, mas ser ela mesma litúrgica, ou seja, unir-se ao coro dos anjos e santos”.
Missas pelos meios de comunicação
Do mesmo modo que a moderação, há também o exemplo. Bento XVI também lembrou em sua obra das celebrações transmitidas pelos meios de comunicação, tão presentes neste tempo de pandemia, com as missas acompanhadas pelos fiéis à distância. “A Liturgia, nesses locais que são transmitidos, deve ser uma liturgia exemplar para o mundo. Vocês sabem que, com a televisão, o rádio e os meios de comunicação modernos, hoje em dia, em todas as partes do mundo, diversas pessoas acompanham a liturgia. Elas aprendem aqui, entre outras coisas, o que é a liturgia e o modo como é preciso celebrá-la”.
“Por isso é tão importante, não apenas que quem está presidindo, quem está cantando, quem está ajudando ensine como bem celebrar a liturgia, a partir de critérios, mas também que o grupo de canto seja um exemplo do modo como é preciso trazer a beleza do canto para o louvor a Deus”, sublinha irmão Fernando.
Individualismo
Bento XVI também discorre sobre o individualismo, frequentemente conhecido como “estrelismo”. “As grandes obras da música de Igreja só podem ser executadas a título gratuito e sem maiores pretensões”, ensina o Papa Emérito. Aí retorna-se ao que foi destacado anteriormente, de que “toda música litúrgica supõe, necessariamente, respeito profundo, disposição a receber, humildade pronta a servir e a participação naquilo que já se fez de grande”.
Diante da tentação do individualismo, o músico deve lembrar do sentido de comunidade: assembleia e reunião.
Essas duas expressões visam, incontestavelmente, dois conteúdos importantes: elas exprimem, por um lado, que aqueles que participam da celebração litúrgica não são indivíduos sem relação entre si, mas que o evento litúrgico os reúne em representação concreta do povo de Deus. Então, essas duas palavras significam também, por outro lado, que enquanto povo de Deus reunidos, são co-portadores do evento litúrgico que vem do Senhor“.
“Então a gente deve resistir com muita insistência à tentação muito comum nos dias de hoje de hipertrofiar a comunidade”, ressalta irmão Fernando. O Catecismo da Igreja Católica ensina que os membros reunidos só formam uma unidade em virtude da comunhão do Espírito Santo, “eles não formam essa unidade por si mesmos, como uma entidade sociologicamente fechada”.
Fonte: CNBB / VATICANEWS